terça-feira, 5 de fevereiro de 2013



Duas coisas na cabeça e um aplicativo

Coisas rápidas,apenas.Hoje estou com um humor de mata rato,venenoso.

A primeira: ontem assisti a apresentação de Tatyana, novo trabalho da Cia de Dança Deborah Colker (http://www.ciadeborahcolker.com.br/). Ganhei uma entrada free de uma querida carioca que trabalha no Barbican, lugar onde o grupo se apresentou.Tatyana é baseado no romance ‘Evguêni Oniéguin’ do escritor russo Alexandr Púchkin.Como não sou crítica de arte, etc...,só me resta recomendar -with my heart- o espetáculo a todos que gostam de dança e literatura. O espetáculo é belíssimo, principalmente o segundo ato, que mais parece um sonho em preto e branco. No fim da apresentação houve um bate-papo no teatro com Deborah e seus bailarinos:


Fiquei encantada com aquela mulher! Com a energia que ela respondia às perguntas do jornalista. Algumas frases suas ficaram na minha cabeça(Deborah falava em inglês, por isso vou transcrever os trechos que lembro do meu jeito):“Eu sei que hoje em dia é só dinheiro, marketing, mídia, etc, mas eu conheço gente que vive de poesia... Me desculpe, mas a coisa mais importante do mundo é o amor... O amor dá poder... A gente tem que ser livre pra criar (arte)... Quem consegue viver sem arte? Como podemos viver sem o Dadaísmo...? Sem Marcel Duchamp (refere-se especificamente à exposição sobre o artista, no Barbican).O bate-papo passou rápido como uma rasteira pelos meus pés. Caí numa nuvem cheia de conforto. Como é bom conhecer artistas e pessoas assim...Como podemos viver sem música? Ou sem Deborah Colker?, arrisco um passo na platoforma do metrô, estou leve. Penso dançando até chegar em casa.  

Segundo – Hoje eu acordei às sete da manhã. Ou às sete da noite? Estava completamente escuro!, eu sei que no inverno é assim... Mas nunca havia tomado café da manhã admirando uma meia lua pendurada num céu negro,através da minha grande janela, na sala.Tentei tirar uma foto mas não prestou. Subi e tirei outra pelo pedacinho da janela do meu quarto.Uma manhã de meia lua, dia cheio? E eu a pensar que nisso tudo há algum mistério...


Por último!Faltou-me colocar o link do applicativo do kindle(que comentei no post anterior).É muito fácil baixar esse aplicativo e com ele você poderá ler livros no seu laptop, celular, ipad, como se tivesse um kindle de verdade. Dessa forma, você terá uma ideia de como funciona o aparelho pra leitura de livros digitais da Amazon:http://www.amazon.com.br/gp/feature.html?ie=UTF8&docId=1000828031



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013



Baby, it´s a digital world!

2010 foi o ano que eu me desesperei. Dessa vez, pelo seguinte motivo: o futuro do livro impresso. Oh no! Torci o nariz a primeira vez que ouvi falar do ebook ( o livro digital). Senti uma dor (de verdade) quando soube que a Amazon estava vendendo como água o famoso Kindle, aparelho para leitura dos ebooks(amazom.com.br).

Não tive sossego,desde então.
Respirava fundo e dava aquela tosse de desconforto ao lado de pessoas lendo seus livrinhos digitais no metrô. Fechava os olhos para amigos que tentavam convencer-me: “Veja, dá pra baixar milhares de livros de graça; e comprar outros bem baratos”...

Acompanhava, torturando-me, notícias que inundavam jornais e revistas sobre o futuro do livro e das livrarias... O que seria de mim sem o cheirinho do livro e o achonchego entre as estantes...?Recusava-me até a tocar num kindle, vai que a febre do e-book pegava!

Ah, mas nada como o tempo pra mudar nossas opiniões.Calma, eu ainda não tenho um kindle.Mas já sou tão modernina que baixei o app dele no meu laptop para “ver” como a coisa funcionava. Baixei alguns livros gratuitos e confesso, it´s not that bad!Fui além.‘Ganhei’ (roubei do meu marido) um Ipad e me rendi ao Império da Maçã. Pronto, não me faltava mais nada...Até que terminei de escrever meu primeiro livro e mergulhei no mundo misterioso das editoras. De lembrança, delas guardei uma coleção de “nãos” e sabendo que ainda me restam poucas esperanças, como concursos literários ou um bilhete da loteria, decidi “rever meus conceitos”(sou clichê, não disse?)

Editoras,livrarias e distribuidoras do mundo inteiro estão em cima do muro.As do Brasil que o digam.A Amazon enfrentou uma grande burocracia pra poder inciar as vendas dos Kindles e dos livros digitais no Brasil. Têm elas razão de ficarem assustadas, como eu fiquei.A Amazon UK, no Reino Unido, já vende mais e-books que livros impressos (http://www.bbc.co.uk/news/technology-19148146 artigo da BBC, em inglês).Por outro lado, o mercado de leitores parece estagnado e editoras e livrarias não têm dinheiro (nem correm o risco de) pra apostar em muitos escritores.A realidade é que muitos livros publicados não vendem! 

O debate sobre os livros digitais apenas começou.Não há uma semana que não publiquem um artigo sobre tal assunto. Eu agora vejo essa mudança com naturalidade. As pessoas estão cada vez mais abertas às novidades tecnológicas e no caso do Brasil,os gadgets (como tablets e smartphones)estão mais acessíveis ao público. 

Ponto a favor do pobre escritor independente!Mas a coisa não é tão fácil quanto parece.Publicar um livro na Amazon não exige muito esforço, aparentemente.Mas, escritores ainda precisam de editores, ilustradores e de um bom joguinho de marketing.

O lado positivo(e o qual me apoio no momento) da plataforma da Amazon é oferecer um espaço a escritores rejeitados os quais poderão mostrar seus trabalhos a um público diverso. É um canal gratuito e escritores devem fazer uso dele.Por que não?

As vantagens iniciais já me convencem de pelo menos farejar um pouco mais o livro digital: salvam-se árvores (imagine as pilhas de livros que não vendem e que nunca venderão em grandes quantidades, tanto papel no lixo!);o escritor ganha a liberdade de publicar o que bem entende, sem se subjugar às restrições das editoras.O livro digital alcança aqueles que não têm acesso às livrarias ou bibliotecas; são também mais baratos que livros impressos. 

Ainda estou engatinhando nesse processo de publicar um livro digital.Neste exato momento, aguardo a edição e correção dos meus textos por olhinhos mais saudáveis e atentos que os meus.Um escritor ‘fica cego’ para o que escreve.Nos próximos posts, contarei mais detalhes desse processo. Não se esqueça: uma boa edição e correção gramatical são essenciais antes de publicar qualquer livro digital. 

That´s all for now!Sei que no Brasil todos estão em clima de carnaval.E quem é feito de ‘carne’ tem mais é que curtir a festa de verdade. Na terra da rainha, que nunca ou-viu um pandeiro, resta-me sambar uma saudade disfarçada de nostalgia. 

Até o próximo post, ‘mas quem é você?’   

sábado, 2 de fevereiro de 2013



O tempo das ideias


Tempo puro, linda abstração. Todo escritor dele depende, no ritmo do tac, tac. O tempo simbolizado no passar do trem a cada dez minutos, na respiração pesada, nos olhos que ardem de cansaço. Tempo, tempo, temperado de desespero. Quem escreve precisa de tempo, quem não o tem, escreve em outras linhas vazias, através do pensamento.

Tempo ainda me resta e me foi essencial pra ter a ideia do meu primeiro romance *ainda segredo: P*(um estalo) e o meu segundo livro de contos (que no forno, gente). Mas meu caminho é tão curto (dois livros apenas!), eu o percorro em segundos. 


Na volta do tempo - Em 2009 eu morava no norte da Inglaterra, em Leeds, um lugar de permanente cinza. Estava com um visto de estudante e não conseguia trabalho. Lembro que no final daquele ano,decidi fazer algo por mim. Tinha que criar coragem e escrever um livro! Tomei um tempo pra deixar-me inspirar com leituras, música,silêncio... eis que a ideia surgiu e, como já comentei num outro post, consumiu mais de dois anos do meu tempo. Foi, porém, o tempo mais precioso da minha vida. 

Em 2010,mudei-me à Londres, marcando, então, um recomeço. Estava casada, numa cidade diferente, em busca de emprego, etc. Não tinha mais tempo pra pensar em livro. Abandonei o projeto e só voltei a ‘tocar’ na ideia em 2011. Mas a partir daí eu tomei gosto pela coisa. Estava num período de troca de trabalho (buscando uma coisa melhor) e os dois meses que passei em casa me ajudaram a voltar a respirar a atmosfera do livro. Quando, enfim, encontrei um novo trabalho eu já tinha os primeiros capítulos em andamento, de forma que precisei aprender a conciliar o emprego full time com as horas extras,à noite, dedicadas à escrita. 


Depois de um ano, entrei em crise - conhece ah-crise? Não me sentia feliz trabalhando em escritório, só pensava no livro... e acabei, por impulso, largando o trabalho; teria tempo pra terminar o livro e começar outro projeto, pensei. Não me seria difícil encontrar outra coisa, me convenci sem me convencer... 

Neste momento, de um riso fácil me entrego como sonhadora. Se você pudesse ouvir minha risada agora...Volto ao tempo. Que boba! Achei que seria tão fácil publicar meu livro... Tenho que rir. Pois que agora meu prazo pra encontrar um trabalho foi além... Busco algo há seis meses, sem muita sorte. Fui à uma entrevista semana retrasada que tomou três horas do meu tempo... Dias depois, disseram que haviam outros canditados “more exceptional” than me

Então Enquanto sobra tempo, resta-me a alegria de que outras estórias nascerão pra me socorrer; existe uma esperança estranha dentro de mim;todos os dias ela nasce, meio imperfeita. Como uma recompensa... um recompensa pelo que?,pergunto-me. Por não deixar sofrer o sonho. 


**Controlar o tempo é tentar amarrar a água ao gosto da boca que fica cheia de vento quando engole o tempo e saliva um desejo de escorrer pelas horas, feitas de sal, e que por isso se dissolvem no passo de uma onda. 


E você, como controla o seu tempo?


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Please don´t cry personality crisis don´t stop




Encontrei essa mensagem pelas ruas de Berlim. Não é ótima?
Por favor, não chore.
Crises de personalidade não param... ou não acabam?   

Uma crise até que faz bem,às vezes.Pra sacudir e mudar algo. O escritor, por exemplo, sofre de algumas crises, tais: 

Crise de ânimo – Parte um A primeira crise de ânimo acontece com as releituras infinitas dos capítulos mais recentes. O escritor, que antes pensava escrever a coisa mais criativa e original do mundo, começa a achar tudo uma por-ca-ria.
Crise de insônia – O escritor escreve em horários estranhos, sonha com os personagens, com eles conversa no caminho ao trabalho... Eu não tive uma crise forte de insônia, mas confesso que já não dormia bem como antes. Tentei escrever de madrugada ou de manhã bem cedinho, mas não funcionou. O meu horário de escrita é a noite (até meia noite porque depois você sabe que aparece fantasma na sala vazia, né? :P).  
Crise de solidão – Ih... A fase da solidão chega pela metade do livro quando você já está completamente imerso no universo da estória. Eu não deixei de sair pra me divertir, claro. E quando o fazia, tinha de me esforçar pra pensar em outra coisa que não fosse a personagem X. Além disso, sentia-me culpada por usar o único tempo livre (fim de semana) pra escrever. Os fins de semana viraram, então, um tormento, eu não queria voltar à realidade da Segunda-Feira, daí que:
Crise de ansiedade – Na metade do livro, eu ‘desparafusei’. Queria usar todo o tempo livre pra escrever. Comecei a fazer terapia semanalmente... Foi uma fase bem estranha, sombria. ‘Ninguém me entende!’ Procurei ajuda inspirando-me em outros escritores, em diretores, em filmes... Eu queria um consolo.  
Crise de inspiração – Nem me fale! Que me-do! Acho que todo mundo que trabalha com arte, música, etc, sente a presença desse fantasma de pés frios, vez em quando. Eu enchalhei no capítulo 9 do livro, por exemplo. Não teve jeito. E durou um mês. Não havia maneira de terminá-lo ou de fazê-lo um pouquinho melhor. Um mês de sofrimento. Rezei, chorei, fiz promessa. Assisti filmes, fui à exposições de arte, isso tudo pra me reanimar... Até que um dia, saiu o que tinha que sair e nem muito contente fiquei.
Crise de ânimo – Parte dois Passado o primeiro sufoco de inspiração, renasci com novo ânimo. Escrevi o capítulo 10, que pra mim significou o alcance de certa maturidade da escrita, e aquilo me encheu de força bruta. ‘Não desisto, não desisto’, repetia, quase me estapeando a cara.  O ‘nascimento’ de um capítulo vibrante e criativo enche o coração de alegria. Mas sabe que a tal, dura pouco...
Crise de gases nervosos – Só a bailarina que não tem! Mas escritor tem sim! Crise essa decorrente da ansiedade que me deixa sem quase respirar e consequentemente enche-me de gases (‘toma coca-cola pra arrotar’, diziam, mas quem disse que?.
Crise conjugal– O seu parceiro(a)tem que realmente amar você. Quer uma prova de amor? Escreva um livro. Sem amor, não tem literatura que resista. Não vou nem entrar em detalhes. Uma coisa digo: pobre do meu marido que teve de me aturar durante aquela época (e ainda me atura). 
Crise de inveja de outros escritores moderninhos que estão dando o que falar – Enquanto você escreve, beleza, você já se sente parte do universo dos escritores. Inocência. Passei meses no meu mundinho, escrevendo um capítulo atrás do outro, lendo, relendo cada frase; Existia nesse mundo algum outro escritor além? Sim, Clarice, Kafka, Lygia Fagundes... Todos distantes. Mas um dia você sai da casinha e se depara com  notícias de escritores novos (e sortudos, claro) publicando aqui ou acolá com editoras; pessoas normais como você, mas com os blogs mais acessados do planeta... Então, você se sente um nada. A crise de inveja aperta e você tem vontade de morder quem estiver por perto; Vai à terapia, e a terapeuta tenta convencê-lo “já eres um escritor” e recomenda uma simples chicotada no inconsciente pra que consiga terminar o troço do livro de uma vez. Sentir invejinha é normal. Mas não deixe que ela atrapalhe sua escrita, nem o faça desistir dela.  
Crise de ânimo – Parte três Crise seguida de várias taças de vinho. Você bebe, escreve, bebe. Ri sozinho, suja o teclado do laptop, chora. Ah, é um ânimo ao inverso. Você já não tem tanto ânimo assim, mas falta pouco, né? Você olha pra tela do computador com olheiras profundas... ‘fal-ga po-co essa porra’. O processo que levou quase dois anos... falta pouco. Alguns capítulos mais e depois a edição e depois hajknjwebdjscs@#$*... Falta pouco...
Crise de desespero – Com o livro pronto e editado (recomendo a ajuda de um editor ou de um escritor amigo ou da família) você abre a janela e é como se sentisse o vento forte no rosto pela primeira vez. Dá uma sensação de liberdade. Mas dura pouco, também. Logo você entrará no mundo obscuro das editoras que dizem não. Bom, ainda estou nesse processo... Então, a crise de desespero bate: você vê que os livros mais vendidos ainda não mudaram de tom; pouquíssimos, pouquíssimos são os que conseguem sobreviver de literatura; o país não incentiva leitura, não investe em educação; você previsa voltar a trabalhar com qualquer coisa pra se sustentar... Desespero! Que me levou a criar este blog e a pensar cada vez mais em tornar-me uma self-publised escritora (publicando por conta própria). Agora, já sei, a próxima crise será A crise digital. Me aguardem!

E você, tem crise de que?