quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013



Um post estranho

Eu sofro de “blogueios” criativos. Não é a primeira vez que tento fazer um blog e paro no meio do caminho. Meu problema vai além de um simples bloqueio, gosto de escrever sem obrigação (amadora séria). A coisa perde o ritmo, o “assunto” e não alcança nem a média de 5 leitores por post. Mas aqui estou eu tentando manter a promessa diária de escrever sobre a escrita, sobre a vida, sobre as duas coisas juntas...  

Hum... Não me sairá agora outra coisa além de um texto fraco das pernas. Estou desanimada, confesso. E sem saber por que. É o mal estar da internet e das redes sociais? Tanta informação há de fazer algum mal. As opiniões desnecessárias de usuários anônimos me deixam com náuseas. Eu me irrito com certos comentários na internet, sim! A minha impressão é que algumas pessoas lêem as informações pela metade, de uma forma ansiosa... e pronto, jogam comentários precipitados. Com a intenção de criar polêmica ou de espalhar a peste, o mal da ignorância. E o debate se desenrola na rede, sem nenhuma conclusão sensata. É uma falsa troca de comunicação...

Como não me indignar com as pessoas que postaram comentários (em jornais online!) deprimentes ou piadinhas imbecis sobre a tragédia na boate Kiss, no Rio Grande do Sul? Demonstrem o mínimo de respeito pelos familiares, por favor!, tenho vontade de gritar, mas me calo. O “bom” da internet é que um pode jogar qualquer lixo de opinião e não ouvir uma resposta inteligente em retorno. 

Abro um vídeo com um filme no youtube e os comentários vão além do conteúdo. Leio (com mais náusea) os comentários ofensivos  entre os usuários (xingam a mãe, o vizinho, o cachorro...), e me pergunto, as pessoas perderam a noção ou sempre foram assim?. Ou a internet apenas abriu o espaço para os palhaços anônimos e os desesperados pelos famosos 15 minutos de fama?  

Outra prova do meu cansaço - este texto está cansadíssimo. Recebi horas atrás um suposto email da minha ex-analista contando que havia sido roubada em Chipre (ilha situada no Mar Mediterrâneo), perdido passaporte, e precisava de ajuda. Respondi oferecendo qualquer apoio. Em poucos segundos, recebi outro email pedindo que depositasse mais de 2000 reais na conta de uma terceira pessoa. Identifiquei, em seguida,(um pouco tarde, talvez. Mas eram sete horas da manhã e não havia tomado meu café forte!) que alguém estava usando os dados da minha ex-analista e tentando aplicar o velho golpe...

Eu sei que este post não tem coesão e tampouco sentido. A vida também não tem, às vezes! Tragédias, corrupção, uso de má fé, crises econômicas... têm sentido? Enfim, alguma esperança ainda resta pois aqui estou escrevendo e tentando apresentar-me, ou apressar-me. 

Desconfio que sofro de uma crise do “não lugar”. Sim, me falta o gosto de pertencer a um lugar. Estar num lugar não me basta. Os pés tocam o chão mas não cavam a areia. 

Estou há tanto tempo fora dos trópicos que me sinto como Clarice Lispector no tempo em que ela morou na Europa e nos Estados Unidos: “Está me acontecendo uma coisa tão esquisita, com o tempo passando, me parece que não moro em nenhum lugar, e que nenhum lugar me quer”, desabafou ela numa carta a Fernando Sabino. 

O estrangeiro carrega essa “falta” no bolso da alma. Mas, no momento, eu me recolho com algum desconforto. Dores maiores são dissipadas em territórios brasileiros. 

Os que compartilham dessa mesma estranheza, único motivo pelo qual escrevo,talvez me entendam. Sim, é um sintoma de estranheza que surge de repente. De estranhar as pessoas ao redor, até mesmo as mais próximas, a vida e a sociedade, o país onde nascemos, o país onde vivemos... hoje me parece tudo tão surreal! Estranho, como se não fizesse parte desse mundo. Não me sinto nem em carne, talvez viva apenas por suspirar a cada meio minuto. 

Se alguém, hoje, me perguntasse de onde eu sou?, quem sou eu?, diria qualquer coisa inspirada no diálogo entre um homem, personagem X, que acaba de conhecer uma mullher, personagem Y, do filme “A música mais triste do mundo”:   

--- Você é americana?, pergunta o homem.
--- Não sou americana. Sou ninfomaníaca, responde ela tranquilamente. 

Por não pertencer a nenhum lugar, hoje eu sou qualquer coisa.

** E você, de que lugar estranho...?

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013



Duas coisas na cabeça e um aplicativo

Coisas rápidas,apenas.Hoje estou com um humor de mata rato,venenoso.

A primeira: ontem assisti a apresentação de Tatyana, novo trabalho da Cia de Dança Deborah Colker (http://www.ciadeborahcolker.com.br/). Ganhei uma entrada free de uma querida carioca que trabalha no Barbican, lugar onde o grupo se apresentou.Tatyana é baseado no romance ‘Evguêni Oniéguin’ do escritor russo Alexandr Púchkin.Como não sou crítica de arte, etc...,só me resta recomendar -with my heart- o espetáculo a todos que gostam de dança e literatura. O espetáculo é belíssimo, principalmente o segundo ato, que mais parece um sonho em preto e branco. No fim da apresentação houve um bate-papo no teatro com Deborah e seus bailarinos:


Fiquei encantada com aquela mulher! Com a energia que ela respondia às perguntas do jornalista. Algumas frases suas ficaram na minha cabeça(Deborah falava em inglês, por isso vou transcrever os trechos que lembro do meu jeito):“Eu sei que hoje em dia é só dinheiro, marketing, mídia, etc, mas eu conheço gente que vive de poesia... Me desculpe, mas a coisa mais importante do mundo é o amor... O amor dá poder... A gente tem que ser livre pra criar (arte)... Quem consegue viver sem arte? Como podemos viver sem o Dadaísmo...? Sem Marcel Duchamp (refere-se especificamente à exposição sobre o artista, no Barbican).O bate-papo passou rápido como uma rasteira pelos meus pés. Caí numa nuvem cheia de conforto. Como é bom conhecer artistas e pessoas assim...Como podemos viver sem música? Ou sem Deborah Colker?, arrisco um passo na platoforma do metrô, estou leve. Penso dançando até chegar em casa.  

Segundo – Hoje eu acordei às sete da manhã. Ou às sete da noite? Estava completamente escuro!, eu sei que no inverno é assim... Mas nunca havia tomado café da manhã admirando uma meia lua pendurada num céu negro,através da minha grande janela, na sala.Tentei tirar uma foto mas não prestou. Subi e tirei outra pelo pedacinho da janela do meu quarto.Uma manhã de meia lua, dia cheio? E eu a pensar que nisso tudo há algum mistério...


Por último!Faltou-me colocar o link do applicativo do kindle(que comentei no post anterior).É muito fácil baixar esse aplicativo e com ele você poderá ler livros no seu laptop, celular, ipad, como se tivesse um kindle de verdade. Dessa forma, você terá uma ideia de como funciona o aparelho pra leitura de livros digitais da Amazon:http://www.amazon.com.br/gp/feature.html?ie=UTF8&docId=1000828031



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013



Baby, it´s a digital world!

2010 foi o ano que eu me desesperei. Dessa vez, pelo seguinte motivo: o futuro do livro impresso. Oh no! Torci o nariz a primeira vez que ouvi falar do ebook ( o livro digital). Senti uma dor (de verdade) quando soube que a Amazon estava vendendo como água o famoso Kindle, aparelho para leitura dos ebooks(amazom.com.br).

Não tive sossego,desde então.
Respirava fundo e dava aquela tosse de desconforto ao lado de pessoas lendo seus livrinhos digitais no metrô. Fechava os olhos para amigos que tentavam convencer-me: “Veja, dá pra baixar milhares de livros de graça; e comprar outros bem baratos”...

Acompanhava, torturando-me, notícias que inundavam jornais e revistas sobre o futuro do livro e das livrarias... O que seria de mim sem o cheirinho do livro e o achonchego entre as estantes...?Recusava-me até a tocar num kindle, vai que a febre do e-book pegava!

Ah, mas nada como o tempo pra mudar nossas opiniões.Calma, eu ainda não tenho um kindle.Mas já sou tão modernina que baixei o app dele no meu laptop para “ver” como a coisa funcionava. Baixei alguns livros gratuitos e confesso, it´s not that bad!Fui além.‘Ganhei’ (roubei do meu marido) um Ipad e me rendi ao Império da Maçã. Pronto, não me faltava mais nada...Até que terminei de escrever meu primeiro livro e mergulhei no mundo misterioso das editoras. De lembrança, delas guardei uma coleção de “nãos” e sabendo que ainda me restam poucas esperanças, como concursos literários ou um bilhete da loteria, decidi “rever meus conceitos”(sou clichê, não disse?)

Editoras,livrarias e distribuidoras do mundo inteiro estão em cima do muro.As do Brasil que o digam.A Amazon enfrentou uma grande burocracia pra poder inciar as vendas dos Kindles e dos livros digitais no Brasil. Têm elas razão de ficarem assustadas, como eu fiquei.A Amazon UK, no Reino Unido, já vende mais e-books que livros impressos (http://www.bbc.co.uk/news/technology-19148146 artigo da BBC, em inglês).Por outro lado, o mercado de leitores parece estagnado e editoras e livrarias não têm dinheiro (nem correm o risco de) pra apostar em muitos escritores.A realidade é que muitos livros publicados não vendem! 

O debate sobre os livros digitais apenas começou.Não há uma semana que não publiquem um artigo sobre tal assunto. Eu agora vejo essa mudança com naturalidade. As pessoas estão cada vez mais abertas às novidades tecnológicas e no caso do Brasil,os gadgets (como tablets e smartphones)estão mais acessíveis ao público. 

Ponto a favor do pobre escritor independente!Mas a coisa não é tão fácil quanto parece.Publicar um livro na Amazon não exige muito esforço, aparentemente.Mas, escritores ainda precisam de editores, ilustradores e de um bom joguinho de marketing.

O lado positivo(e o qual me apoio no momento) da plataforma da Amazon é oferecer um espaço a escritores rejeitados os quais poderão mostrar seus trabalhos a um público diverso. É um canal gratuito e escritores devem fazer uso dele.Por que não?

As vantagens iniciais já me convencem de pelo menos farejar um pouco mais o livro digital: salvam-se árvores (imagine as pilhas de livros que não vendem e que nunca venderão em grandes quantidades, tanto papel no lixo!);o escritor ganha a liberdade de publicar o que bem entende, sem se subjugar às restrições das editoras.O livro digital alcança aqueles que não têm acesso às livrarias ou bibliotecas; são também mais baratos que livros impressos. 

Ainda estou engatinhando nesse processo de publicar um livro digital.Neste exato momento, aguardo a edição e correção dos meus textos por olhinhos mais saudáveis e atentos que os meus.Um escritor ‘fica cego’ para o que escreve.Nos próximos posts, contarei mais detalhes desse processo. Não se esqueça: uma boa edição e correção gramatical são essenciais antes de publicar qualquer livro digital. 

That´s all for now!Sei que no Brasil todos estão em clima de carnaval.E quem é feito de ‘carne’ tem mais é que curtir a festa de verdade. Na terra da rainha, que nunca ou-viu um pandeiro, resta-me sambar uma saudade disfarçada de nostalgia. 

Até o próximo post, ‘mas quem é você?’   

sábado, 2 de fevereiro de 2013



O tempo das ideias


Tempo puro, linda abstração. Todo escritor dele depende, no ritmo do tac, tac. O tempo simbolizado no passar do trem a cada dez minutos, na respiração pesada, nos olhos que ardem de cansaço. Tempo, tempo, temperado de desespero. Quem escreve precisa de tempo, quem não o tem, escreve em outras linhas vazias, através do pensamento.

Tempo ainda me resta e me foi essencial pra ter a ideia do meu primeiro romance *ainda segredo: P*(um estalo) e o meu segundo livro de contos (que no forno, gente). Mas meu caminho é tão curto (dois livros apenas!), eu o percorro em segundos. 


Na volta do tempo - Em 2009 eu morava no norte da Inglaterra, em Leeds, um lugar de permanente cinza. Estava com um visto de estudante e não conseguia trabalho. Lembro que no final daquele ano,decidi fazer algo por mim. Tinha que criar coragem e escrever um livro! Tomei um tempo pra deixar-me inspirar com leituras, música,silêncio... eis que a ideia surgiu e, como já comentei num outro post, consumiu mais de dois anos do meu tempo. Foi, porém, o tempo mais precioso da minha vida. 

Em 2010,mudei-me à Londres, marcando, então, um recomeço. Estava casada, numa cidade diferente, em busca de emprego, etc. Não tinha mais tempo pra pensar em livro. Abandonei o projeto e só voltei a ‘tocar’ na ideia em 2011. Mas a partir daí eu tomei gosto pela coisa. Estava num período de troca de trabalho (buscando uma coisa melhor) e os dois meses que passei em casa me ajudaram a voltar a respirar a atmosfera do livro. Quando, enfim, encontrei um novo trabalho eu já tinha os primeiros capítulos em andamento, de forma que precisei aprender a conciliar o emprego full time com as horas extras,à noite, dedicadas à escrita. 


Depois de um ano, entrei em crise - conhece ah-crise? Não me sentia feliz trabalhando em escritório, só pensava no livro... e acabei, por impulso, largando o trabalho; teria tempo pra terminar o livro e começar outro projeto, pensei. Não me seria difícil encontrar outra coisa, me convenci sem me convencer... 

Neste momento, de um riso fácil me entrego como sonhadora. Se você pudesse ouvir minha risada agora...Volto ao tempo. Que boba! Achei que seria tão fácil publicar meu livro... Tenho que rir. Pois que agora meu prazo pra encontrar um trabalho foi além... Busco algo há seis meses, sem muita sorte. Fui à uma entrevista semana retrasada que tomou três horas do meu tempo... Dias depois, disseram que haviam outros canditados “more exceptional” than me

Então Enquanto sobra tempo, resta-me a alegria de que outras estórias nascerão pra me socorrer; existe uma esperança estranha dentro de mim;todos os dias ela nasce, meio imperfeita. Como uma recompensa... um recompensa pelo que?,pergunto-me. Por não deixar sofrer o sonho. 


**Controlar o tempo é tentar amarrar a água ao gosto da boca que fica cheia de vento quando engole o tempo e saliva um desejo de escorrer pelas horas, feitas de sal, e que por isso se dissolvem no passo de uma onda. 


E você, como controla o seu tempo?